Crise no setor: automóveis com três anos com preços iguais aos novos
13 julho, 2022 por
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O comércio de veículos usados parecia estar a ultrapassar uma fase positiva - com o atraso na entrega de veículos novos, estes acabariam por tornar-se uma opção mais viável para todos aqueles que preferem não ter que esperar. No entanto, os atrasos no setor estão a afetar tanto novos como usados. 

Com a pandemia e, mais recentemente, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, os tempos de espera para receber um veículo novo estão a atingir níveis nunca antes vistos. Fatores como a falta de semicondutores e a falta e o encarecimento das matérias-primas como aço, magnésio, palátio, entre outros, têm levado ao agravamento da situação. 

As gamas mais baixas de combustão, altamente afetadas, podem atingir período de espera superiores a seis meses. De modo a evitarem o tempo de espera, clientes que optariam habitualmente por automóveis novos, acabam por reverter para stands de usados. Esta alteração de comportamentos tem se refletido na procura, nas encomendas e no preço. Versões anteriores a veículos novos - com três anos ou até 20 mil km - podem, agora, ser encontradas no mercado ao mesmo preço das versões novas, com a vantagem de possibilitarem uma entrega mais rápida.

Os fabricantes, quando deparados com a falta de semicondutores disponíveis, acabam por, na sua maioria, optar por veículos que possibilitam uma margem superior e com menos emissões de CO2. Desta forma, o negócio dos usados acaba por sofrer preços altamente inflacionados e reduzir drasticamente o seu stock para satisfazer os clientes habituais. Um veículo que, habitualmente, seria comprado por 15 mil euros, custa agora 21 mil euros no mínimo. Os clientes que compravam na fasquia dos 14 aos 16 mil euros optam, assim, por não comprar. 

A diminuição da produção e a retoma agressiva da procura são fatores agravantes. Prevê-se que a normalização do setor não aconteça antes do último trimestre de 2023.


Fonte: Dinheiro Vivo


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