"Acredito na micro-mobilidade e o futuro parte por aqui", Nuno Fonte, Voltstore
15 junho, 2022 por
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Nesta edição das Entrevistas “Sem escape”, falamos com Nuno Fonte, Manager da empresa Voltstore. Fica a saber mais sobre bicicletas elétricas e o olhar do Nuno sobre a mobilidade sustentável. A Voltstore é parceira do CLICX, podendo encontrar as suas bicicletas, motos e trotinetes elétricas na nossa loja online


Como surgiu a ideia de criação da Kit e-bike, atualmente Voltstore?

Fazemos parte do grupo MBA e somos uma empresa de publicidade que está no mercado português desde 1989. O nosso negócio principal sempre foi publicidade e marketing. Em 2010, como brincadeira, surgiu a ideia de criarmos uma loja de aluguer de bicicletas [nós tínhamos uma loja, em Matosinhos, que ficou vaga]. Era um tipo de produto que nunca tínhamos trabalhado e foi um bocado em tom de brincadeira que decidimos experimentar. A loja era bem localizada, era em frente à praia, reunia as condições necessárias. O negócio foi começando a aumentar. Quando entramos, em 2010, as lojas de bicicletas não tinham bicicletas elétricas, então era algo completamente novo. O nosso objetivo, inicialmente, era aluguer, mas, posteriormente, começámos a perceber que havia muita gente a querer comprar as bicicletas. Com isto começamos a crescer, tivemos um crescimento natural que foi acontecendo.



Os públicos já tinham interesse no mercado da bicicleta elétrica quando iniciaram atividade?

Na altura não havia assim tanto interesse. Nós tínhamos uma loja em Matosinhos e durante 5 / 6 anos o negócio manteve-se naquele local, que é pequeno. Ao longo do tempo, fomos começando a experimentar coisas novas. Começámos a exportar baterias e motores, a vender separadamente os motores e as baterias e a fazer assistências. Na altura, ainda não havia muita procura, ou seja, inicialmente começámos com o aluguer e quando começámos a sentir que havia procura das pessoas para comprar, começámos a investir nesse sentido.

Entretanto, há 5 anos atrás, o negócio começou a crescer e cada vez mais rápido e aí ganhámos a representação de uma marca de motas. Com isso, criámos um armazém que é, atualmente, a nossa sede. A primeira loja continua no mesmo sítio, abrimos também uma em Lisboa e foi crescendo naturalmente. Ou seja, nós somos mais armazenistas do que lojistas. Temos duas lojas abertas ao público e temos armazém e é lá que fazemos a importação. Somos distribuidores da marca Neomouv em Portugal há 3 anos e somos, também, distribuidores da marca de motas Horwin. Basicamente, no nosso armazém fazemos importação, armazenamento e distribuímos para outras lojas.



Sentem que a mobilidade elétrica tem sido uma crescente aposta e procura por parte dos consumidores?

Nós tivemos sorte por termos começado neste mercado quando ele ainda não existia. Quando houve o boom da procura dos veículos elétricos - as bicicletas começaram até antes dos carros elétricos - nós já estávamos no mercado há 5 ou 6 anos. Ou seja, já tínhamos um know how forte que ninguém tinha na altura. Por isso, acabamos por ser inovadores e originais, porque quando começou a haver maior procura já tínhamos bons produtos, o know how, técnicos especializados. Isso deu-nos alguma vantagem. Acredito que estejamos bem posicionados, temos uma bagagem já de mais de 10 anos e uma maior sensibilidade para tentar perceber quais são os melhores produtos a colocar no mercado. A verdade é que, hoje em dia, há muitas empresas a tentar entrar na área e muitas estão a cometer os erros que nós fizemos quando entrámos, mas numa situação pior, uma vez que agora há muita procura. Esses erros acabam por ser muito mais prejudiciais do que os nossos primeiros erros quando o mercado era pequeno e não havia muita competitividade.



Sentem que as marcas cada vez mais apostam na comercialização de produtos elétricos? Há uma maior variedade de produtos, toda uma frota de motas, bicicletas, trotinetes?

Quando começámos não havia muitas marcas. Havia uma ou outra marca de bicicletas elétricas e de trotinetes elétricas, mas tudo começou com poucas marcas. Hoje em dia, como há tanta procura e há grandes superfícies a abrir em todo o lado, tudo o que é empresas, mesmo de tecnologia, está tudo a entrar nesse mercado. Nos dias que decorrem, todas as empresas têm capacidade de fornecer, estão a desenvolver as suas próprias gamas, cada vez há mais - o que nem sempre é uma vantagem. Faz com que a oferta seja muito maior e que nem sempre haja o know how por parte das empresas que vendem e, muitas vezes, os clientes acabam por sair insatisfeitos, porque compram os produtos em superfícies que não são especializadas na área. Isto leva a que nem sempre tenham técnicos especializados que percebam do que venderam, o que causa alguns constrangimentos. Contudo, o surgimento de mais empresas também tem o lado positivo de fortalecer o mercado.




Quais são os produtos mais procurados na mobilidade elétrica?

Varia. Nas trotinetes elétricas, principalmente de baixo valor, acabamos por não nos focar muito, uma vez que é um produto muito orientado para grandes superfícies ou para lojas de tecnologia e não tanto para empresas especializadas como nós. Mas, apesar de ser um produto que não nos focamos muito, tem muita procura e vendas muito altas. Em termos europeus, as bicicletas elétricas são, de longe, o produto mais procurado e mais vendido.



Se eu tiver a minha bicicleta, mas se quiser ter uma bicicleta elétrica, tenho que comprar uma bicicleta nova ou existem outras opções?

Existem 3 opções: existe uma gama muito grande de bicicletas novas que pode escolher; existe muito mercado de bicicletas usadas e em segunda mão; e existe, também, a vertente da transformação que é algo que fazemos quase desde o início através de um kit que nós temos. O conceito é que a pessoa já tem a sua bicicleta em casa que gosta e a ideia é reutilizar o produto, dar-lhe uma vida nova, e nós temos essa opção. Temos vários motores e várias baterias que a pessoa pode escolher e conseguimos adaptar à bicicleta em questão. A pessoa depois pode escolher se prefere uma bateria com maior dimensão ou menor, para ter mais autonomia, mais capacidade, mais velocidade. Ou seja, é personalizável ao gosto do cliente. Existe uma série de extras que a pessoa consegue adicionar à transformação. Tentamos sempre sensibilizar as vantagens das três opções e depois deixar o consumidor decidir qual a melhor opção a usar.



Cada pessoa faz a sua própria adaptação ou são vocês que fazem esse serviço?

Normalmente somos nós a fazer. Apesar de ser algo simples, requer alguma técnica e nem todos conseguem fazer. Se um cliente for a uma loja, temos todo o interesse em fazer com que a bicicleta fique bem montada e recomendamos que sejamos nós a fazer.



O desempenho da bicicleta não depende apenas da bateria, há outros fatores que influenciam isto. Que outros fatores devemos estar atentos?

Existe uma série enorme de fatores e é um assunto que gera bastante discussão. Não só depende da maneira como usamos a bateria, mas também como a carregamos. Uma bateria não deve ficar mais de 3 meses sem ser carregada, quase como uma bateria de telemóvel. Se isto acontecer pode vir a ter problemas com o equipamento. As baterias que temos são compostas por lítio e, sendo ele um composto químico, não está sempre em igual situação, variando dependendo do uso da pessoa e das condições a qual está sujeito. Costumamos dar o conselho de esperar cerca de 20 minutos, depois do uso, para a carregar, pois pode ainda estar quente, dando uma maior elasticidade à bateria.

Durante a utilização, existem fatores que podem variar a duração da bateria como o vento, o peso do utilizador, o percurso (atenção a subidas e a várias travagens). É quase como um carro - em autoestrada gasta sempre menos quando o percurso é mais estável.

Uma curiosidade é que as marcas deixaram de dizer a autonomia ideal, ou seja, quando em condições perfeitas esta bicicleta faz X de quilometragem e passaram a uma autonomia real. Temos clientes que nos compraram baterias que estavam listadas em 70km e passado uns 2 meses disseram-nos que fizeram 120km. Depois há as tais variáveis: uma bateria para bicicleta normalmente tem 5 velocidades, mais as mudanças manuais da bicicleta, pode ser necessário um certo “jogo” da nossa parte (baixar as mudanças manuais numa subida, entre outros).



Qual é o custo médio de uma bicicleta elétrica?

Podemos dividir em 3 grupos. Nós posicionamos os nossos artigos no grupo do meio. Existem as bicicletas “Entrada de Gama” que rondam, mais ou menos, os mil euros. Estas são as bicicletas mais baratas que se podem comprar.

Existem as bicicletas de “Gama Média”, que é onde estamos. Normalmente, andam entre os 2 mil e os 2.500€.

Depois, a “Gama Alta” é dos 3 mil euros para cima. Estas podem chegar até aos 15 mil euros, mas já são bicicletas muito específicas.

Nós achamos que estamos posicionados no melhor lugar possível. Bicicletas muito baratas tendem a dar muitos problemas e, anteriormente, tínhamos bastantes na nossa loja. Exatamente por isto, deixamos de as ter e começamos a subir um pouco na gama. E a gama alta é para um nicho de mercado muito específico e não achamos que seja algo interessante para explorar.



Será o crédito uma mais valia para o incremento tanto na compra de bicicletas, como de motas ou de trotinetes?

Sim, mais nas bicicletas e nas motas, não tanto nas trotinetes. De 1.500€ para cima, começa a fazer sentido opções de crédito. As pessoas ao comprar uma bicicleta, se não for para lazer e for para utilização diária, há algumas contas que devem fazer. Conseguem fazer uma gestão e poupança ainda grande com a opção de crédito. Se compararmos o valor gasto em combustível e manutenção de um carro comparativamente com uma mensalidade de crédito, percebemos que conseguimos fazer uma poupança interessante.



O facto de uma pessoa ser cliente CLICX, terá algumas vantagens na vossa loja?

Sim, vocês estão a desenvolver uma boa plataforma e as opções de crédito são bastante interessantes. Nós temos todas as capacidades em ser parceiros vossos porque, para além de termos oficina própria e pontos de venda onde o cliente pode ir reparar um furo ou algo que necessite, vocês depois têm uma plataforma que conseguem chegar a mais clientes. Acho que é uma vantagem haver este contacto entre a plataforma online e um ponto de venda físico que ajude a resolver qualquer problema.



Quais são as previsões para o futuro da mobilidade sustentável? Esta ideia de mobilidade elétrica veio para ficar?

Uma pergunta um pouco difícil, nós acreditamos que sim.

Na minha opinião pessoal, acredito na micro-mobilidade - as trotinetes, bicicletas, motas - e o futuro parte por aqui. As grandes cidades estão sobrelotadas, cada vez há mais trânsito e menos lugares de estacionamento. Acredito que os veículos automóveis vão começar a existir em menor número e vai haver cada vez mais gente a circular em pequenos meios de transporte e a investir em micro-mobilidade.





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